InícioSobreServiçosBlogContato

Power BI · Dados · Excel · IA aplicada

Todos os artigos
Publicado em 7 de julho de 20269 min de leitura

Hermes Agent: o agente de IA que aprende com você

Entenda o que é o Hermes Agent, como ele usa memória, skills e ferramentas para trabalhar por você, e quando faz sentido adotá-lo no dia a dia.

Hermes Agent: o agente de IA que aprende com você

Tem uma diferença grande entre conversar com uma IA e colocar uma IA para trabalhar.

Na conversa, você pede uma resposta. No trabalho, você espera que o agente entenda o objetivo, consulte fontes, mexa em arquivos, rode comandos, lembre preferências e volte com algo verificável.

Hermes Agent é um agente de IA open source da Nous Research que roda no terminal, em apps de mensagem e em ambientes remotos, usando ferramentas, memória e skills para executar tarefas em várias etapas.

Não é só mais uma janela de chat.

É mais perto de um operador digital: você passa uma intenção, ele usa ferramentas, aprende procedimentos e consegue continuar o trabalho onde você realmente está, inclusive no Telegram.

O que é o Hermes Agent?

Hermes Agent é um framework de agente autônomo criado pela Nous Research para trabalhar com modelos de linguagem, ferramentas externas, memória persistente e automações. Segundo a documentação oficial, ele foi desenhado como um agente que melhora com o uso, criando e atualizando skills a partir da experiência.

A ideia central é simples: em vez de tratar a IA como uma caixa de texto isolada, o Hermes dá a ela um ambiente de execução.

Isso muda o tipo de tarefa que faz sentido pedir.

Chat comum Hermes Agent
Responde perguntas Executa fluxos com ferramentas
Esquece entre sessões, salvo memória do produto Pode usar memória persistente configurada
Depende do que você cola na conversa Pode ler arquivos, pesquisar, rodar comandos e consultar fontes
Vive em uma interface Pode rodar no terminal, Telegram, Discord, Slack e outros canais
Entrega texto Pode entregar arquivos, commits, relatórios, imagens, áudios ou automações

A fronteira não é “responder melhor”.

A fronteira é fazer mais partes do trabalho sem você precisar ficar copiando e colando contexto.

Como o Hermes Agent funciona na prática?

O Hermes funciona como uma camada entre o modelo de IA e o ambiente onde o trabalho acontece. Você escolhe um provedor de modelo, configura ferramentas e conversa com o agente. Quando a tarefa pede ação, ele chama ferramentas específicas.

Na prática, ele pode combinar cinco peças:

Peça Para que serve Exemplo prático
Modelo de IA Raciocinar e escrever Planejar um artigo, revisar código ou resumir uma reunião
Ferramentas Agir no mundo real Pesquisar na web, ler arquivos, rodar testes, gerar imagens
Memória Reter preferências e contexto estável Lembrar estilo de resposta, projetos e convenções
Skills Reaproveitar procedimentos Seguir um fluxo específico para criar posts de blog
Gateway Conversar por outros canais Usar o agente no Telegram enquanto ele trabalha em um servidor

Um exemplo simples: você pede “escreva um artigo para o blog”. Um chatbot comum provavelmente devolve um texto. Um Hermes bem configurado pode carregar a skill certa, pesquisar fontes, criar arquivos no repositório, gerar capa, rodar npm test, commitar e entregar uma URL de preview.

Esse é o ponto.

O agente não precisa parar na resposta quando a tarefa pede execução.

Por que memória e skills mudam o jogo?

Memória e skills resolvem dois problemas diferentes.

Memória guarda fatos compactos que continuam úteis em outras conversas: preferências do usuário, convenções de projeto, detalhes estáveis do ambiente. A documentação descreve a memória como dois arquivos principais, MEMORY.md e USER.md, injetados no contexto no começo da sessão.

Skills guardam procedimentos. Elas são documentos sob demanda que ensinam o agente a executar um tipo de tarefa com um padrão repetível. A documentação de skills chama isso de “progressive disclosure”: o agente vê a lista de skills e só carrega o conteúdo completo quando precisa.

A diferença importa:

Se é... Vai para... Exemplo
Preferência estável Memória “Gerson prefere resposta direta, sem hype”
Convenção de projeto Memória “O blog usa frontmatter com draft: true
Passo a passo reutilizável Skill “Como escrever, validar e publicar post no blog”
Histórico pontual Sessão, não memória “O artigo X foi criado hoje”

Sem skills, o agente precisa reaprender o processo a cada pedido.

Com skills, ele trabalha mais como alguém que já conhece a rotina.

O que o Hermes faz que um copiloto comum não faz?

A diferença aparece quando o trabalho cruza várias ferramentas.

Um copiloto preso ao editor ajuda dentro do código. Um chatbot ajuda dentro da conversa. O Hermes tenta ocupar o espaço entre os dois: conversa, terminal, arquivos, browser, agenda, canais de mensagem e automações.

Pense em três cenários.

1. Conteúdo com validação real

Você pode pedir um rascunho de artigo. O agente pode pesquisar, escrever, salvar no repositório, gerar a imagem de capa, rodar os testes e apontar o que ficou pronto.

A vantagem não é “escrever mais bonito”.

É reduzir a distância entre ideia e artefato revisável.

2. Rotinas operacionais

A ferramenta de cron do Hermes permite agendar tarefas recorrentes. Pela documentação, jobs podem rodar em sessões novas, carregar skills, entregar resultados no canal de origem e até operar em modo sem agente quando um script basta.

Isso serve para tarefas como:

  • monitorar uma fonte e enviar resumo;
  • checar status de um serviço;
  • gerar um briefing diário;
  • lembrar uma rotina com contexto;
  • rodar um script e só avisar quando houver mudança.

3. Trabalho por mensagem

O gateway do Hermes conecta o agente a plataformas como Telegram, Discord, Slack, WhatsApp, Signal e Email. Para quem trabalha longe do terminal durante parte do dia, isso é grande.

Você não precisa abrir SSH para pedir uma tarefa simples.

Pode mandar uma mensagem, o agente trabalha no ambiente configurado e volta com o resultado.

Quando faz sentido usar o Hermes Agent?

Hermes faz mais sentido quando a tarefa tem contexto, repetição ou várias etapas. Se você só quer uma resposta rápida, um chat comum resolve. Se você quer um operador que siga procedimentos, use ferramentas e aprenda padrões, o Hermes começa a ficar interessante.

Use Hermes quando... Talvez não precise quando...
A tarefa envolve arquivos, comandos ou validação Você só quer uma explicação curta
O fluxo se repete toda semana É uma pergunta única e simples
Você quer usar o agente por Telegram ou outro canal Você está sempre no mesmo chat web
Existe um procedimento claro para seguir Você ainda não sabe o processo
Você quer automações com entrega Você só precisa de brainstorming

O melhor uso não é pedir “faça tudo”.

É transformar rotinas bem definidas em skills e deixar o agente executar com verificação.

Quais são os cuidados antes de adotar?

Hermes é poderoso justamente porque pode usar ferramentas. Isso exige cuidado.

O primeiro cuidado é acesso. Um agente com terminal e arquivos não deve rodar com permissões que você não entende. A documentação recomenda configurar ferramentas, aprovações, gateway e allowlists de usuários com atenção.

O segundo cuidado é validação. Agente bom não é o que promete que fez. É o que mostra evidência: teste rodando, arquivo criado, diff, URL, log, status do job.

O terceiro cuidado é escopo. Se você não define o procedimento, o agente pode seguir um caminho plausível, mas não necessariamente o melhor para o seu negócio.

Em outras palavras: Hermes não elimina processo.

Ele recompensa processo bem definido.

Um exemplo aplicado: blog do Gerson

No meu caso, um bom uso do Hermes é transformar a operação do blog em um fluxo repetível.

A skill pode dizer exatamente como um artigo deve nascer:

  1. pesquisar o tema;
  2. escrever em português;
  3. traduzir para inglês;
  4. criar a imagem de capa;
  5. salvar nos diretórios certos;
  6. validar o schema do frontmatter;
  7. rodar npm test;
  8. abrir branch;
  9. fazer commit;
  10. entregar preview para revisão.

Perceba o detalhe: a skill não é só “escreva bem”.

Ela captura o contrato operacional do projeto. Isso reduz erro besta, como esquecer o par em inglês, esquecer a capa ou publicar antes da aprovação.

Para times que trabalham com Power BI, dados e automação, a lógica é a mesma. Se existe um jeito certo de montar, validar e entregar, esse jeito pode virar uma skill.

Como começar sem complicar?

A forma mais segura é começar pequeno.

Primeiro, instale e configure o modelo. A documentação recomenda hermes setup ou hermes setup --portal para o caminho mais direto. Depois, habilite só as ferramentas que você realmente pretende usar. Em seguida, crie uma skill para uma rotina pequena.

Um bom primeiro caso não é “gerencie minha empresa”.

É algo como:

  • revisar um arquivo e apontar inconsistências;
  • criar rascunhos seguindo um template;
  • gerar um relatório semanal;
  • validar uma estrutura de pastas;
  • resumir uma página e salvar em markdown;
  • rodar testes e explicar falhas.

Quando esse fluxo ficar confiável, você aumenta o escopo.

Perguntas frequentes

Hermes Agent substitui ChatGPT, Claude ou Gemini?

Não exatamente. Hermes usa modelos como parte do sistema, mas o foco é outro: dar ferramentas, memória, skills e canais de execução ao agente. O modelo raciocina e escreve; o Hermes organiza o ambiente para ele agir.

Preciso saber programar para usar o Hermes?

Não para conversar com ele, mas conhecimento técnico ajuda na configuração e no uso seguro. Quem pretende usar terminal, GitHub, servidores, cron e MCP precisa entender permissões, arquivos e validação básica.

O Hermes Agent é só para programação?

Não. Ele é muito útil para desenvolvimento, mas também serve para pesquisa, conteúdo, operações, análise de dados, automações, relatórios e rotinas em plataformas de mensagem. A utilidade cresce quando existe um processo repetível.

Qual é o maior risco de usar um agente assim?

O maior risco é dar poder demais sem validação. Um agente com acesso a ferramentas precisa de escopo, aprovação para ações sensíveis e checagem do resultado. A regra prática é simples: peça evidência, não só uma resposta.


Se você quer levar esse tipo de automação para conteúdo, dados ou rotinas internas, veja as opções de treinamentos in-company e mentoria individual.

iaautomacaoagentes

Quer levar isso para o seu time?

Treinamentos, palestras e mentorias para transformar dados em decisão.